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  • Foto do escritorTHAYSA FERREIRA DE ALMEIDA

Quadrinhos é coisa de adulto!


O que a polêmica de “Death Note” nos ensina sobre Quadrinhos e Educação?


Recentemente, ganhamos mais um episódio de perseguição aos quadrinhos. E, mais uma vez, o escolhido foi o mangá Death Note, do autor Tsugumi Ohba, ilustrada por Takeshi Obata, citado por uma reportagem de TV.

Os argumentos da reportagem (que é difícil de assistir!) mostram como “acessível para crianças” e “violência explícita”. A polêmica levou a editora JBC - responsável pela publicação no Brasil - a anunciar que irá republicar a obra.

Mas crianças escolhem o acesso ao gibi “Death Note”?

Não! E essa não é a questão aqui! A reportagem ignora o fato de que esse mangá é vendido com classificação etária para maiores de 18 anos. Fim da polêmica, certo? Deveria ser.

Infelizmente, há tempos, os mal informados (ou mal intencionados) insistem na ideia de que “gibi é coisa de criança” e, imediatamente, qualquer conteúdo em quadrinhos é relacionado ao público infantil, causando muitos erros de percepção externa, como o que a reportagem cometeu.

No ano de 2009, por exemplo, a secretaria de Educação da cidade de São Paulo (SP), encomendou a HQ “Dez na Área, Um na Banheira e Ninguém no Gol” para usar no processo de alfabetização de crianças do quarto ano (Ensino Fundamental I). Logo descobriram que se tratava de um material feito para adultos.

Devem ter pensado: “Se é quadrinho, é infantil! Pode mandar para as crianças!”

O equívoco resultou um festival de confusões e no final, de maneira injusta, ficou para a HQ o demérito. A secretaria de Educação da maior cidade do país, em um erro que virou polêmica e que estourou pro lado das HQs, claro!

Poderia citar outras várias histórias infelizes com o mesmo mote: pessoas que acham que tudo e qualquer gibi é um produto infantil.

Já apresentei aqui como as HQs podem contribuir de maneira expressa para a educação de crianças, mas para isso é necessário escolher o gibi de acordo com o que se pretende trabalhar, claro, indicar o material adequado para a idade dos leitores. Então, deixe o material adulto para os adultos.

É preciso ressaltar (sendo repetitivo de propósito), que HQ não é um produto exclusivamente infantil. Já não aprendemos isso?

Quadrinhos são uma linguagem, um meio de comunicação, um tipo de arte ... com isso podemos apresentar uma infinidade de histórias, sejam infantis ou adultas.

Se você é um educador ou educador, precisa fazer a triagem do material para utilizar com os estudantes: escolher de acordo com o tema e com a idade. As vezes é difícil encontrar uma obra específica. Qual a saída?

Você pode usar apenas um trecho que seja adequado ao que busca, deixando de fora elementos não adequados para aquele momento. Professores e professoras sempre fizeram isso com filmes: passamos o trecho que interessa para a discussão e ilustração do que se quer trabalhar e pronto. Com os HQs é possível fazer o mesmo.

Se você é pai ou mãe e deseja usar HQs na educação do seu filho, leia antes o material, use o bom senso e se interessa. A indicação de idade é um bom parâmetro, mas o bom senso prevalece!

E nós, adultos, o que aprendemos com isso?

As HQs proporcionam possibilidades de aprendizagem. Novas palavras e expressões, idiomas, o esforço de raciocínio para a leitura, o prazer das artes e de uma boa história, informações em todos os quadros, movimentos, núcleos ... por que achamos que isso só serve para as crianças?

Ler gibi é uma ação educativa! Ao ler estamos nos educando e isso servimos para todos nós, independente da idade.

A educação não ocorre apenas na escola e também não termina com a final da idade escolar. Educação é um processo contínuo, que nos acompanha até o final da vida.

A cada livro, cada filme, cada viagem ... aprendemos um pouco mais. E claro, a cada quadrinho que lemos, aprendemos também!

Então, não se afete com as polêmicas infundadas e boa leitura com muito aprendizado.
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